sábado, 13 de agosto de 2011

MARCELINO FILHO WORLD - BY GURUPÉDIA - ROL DE NEOLOGISMOS DO GURU TÉRCURI - DIRETÓRIO DE PALAVRAS E EXPRESSÕES.

Este é um livro convite, posto que ele convida você leitor a ler novas palavras. Convida-o também a identificar nelas os seus usos e as suas razoes. Logicamente, convidá-lo para uma leitura de novos termos, buscar neles o emprego correto e descobrir os motivos porque eles foram criados é, sem dúvida um chamamento incomum. Contudo, nem só por isso, mas também por isso, será esta, visada destes neologismos, uma deleitosa e aprazível aventura. Tendo em vista que os neologismos têm uma grafia diferente, resolvi chamá-los de neógrafos, isto é, as palavras que são escritas com uma nova grafia.Ao confeccionar esta pequena obra, decidi nomeá-la de neologismos do guru. O meu propósito ao escrevê-la foi de abrasileirar um pouco a tão aportuguesada Língua Portuguesa. Outro objetivo forte foi o de ultrapassar as fronteiras do dicionário e da gramática para espiar um pouco o que tem fora de seus domínios e, sobretudo, olhá-los de fora pra avaliá-los melhor. Talvez, o meu intento maior seja demonstrar um turbilhão de brasilidade que me vai na alma, um enxurre de amor pelo Brasil, que me fez e me faz transpor os dizeres e os falares comuns, para inovar com outros falares, pois através deles quiçá eu encontre uma melhor forma de arrematar a alma brasileira,
Na verdade, os neologismos do guru, ou melhor, a apresentação dos neógrafos é feita em textos nos quais eles estão incursos. O leitor, isto é, você foi convidado a conhecê-los já atuando, ou seja, a descobri-los no interior de contextos, com acepções já definidas. Em alguns casos eles se apresentam como simples sinônimos das palavras costumeiras, revelando então, apenas uma neofonia, isto é, um novo som para antigos significados. Em outros, eles se mostram como signos lingüísticos de significados inéditos e inauditos, explodindo em originalidade.
Ao longo da minha caçada aos neógrafos, fui me apaixonando por alguns de modo irremediável. Pinçá-los no astral e trazê-los para o mundo das formas foi assaz graficamente, contudo, deliciou-se mais em proferi-los, escrevê-los e, sobretudo, encontrar seus usos e descobrir as razões. Fiz deles uma pequena nomenclatura, dicionarizei-os e os aguardei na minha mesinha de cabeceira.
Finalizo, exortando os leitores a apreciá-los. Eu os exibi de modo aleatório, não segui um método linear de exposição. Elenquei-os segundo o meu gosto, consoante a minha paixão neográfica.

A EXPRESSIA E O LACONÊTA

Existem pessoas que são verdadeiros comunicadores. Só para citar alguns, Faustão, Sílvio Santos, Gugu. Existem outros que mal conseguem pronunciar o próprio nome. Uns, comunicam-se super bem, outros, não tem comunicabilidade alguma. Um antigo comunicador, o Chacrinha, dizia: quem não se comunica se trumbica.
São vários os graus de facilidade de expressão de cada um.
Pode-se dizer que a pessoa que não sabe se comunicar é um laconêta. Pode-se também dizer que um bom comunicador é aquele que tem uma grande expressia. Ora, laconêta é o que tem pouca expressia. Portanto, os bons comunicadores são aqueles que têm grande expressia e os laconêtas são os que não tem expressia alguma.
Em verdade, o expressiador é o grande comunicador e o laconêta o comunicador incompetente.

DEMÓFONO, RARÓFONO E NEÓFONO

Um termo demófono é aquele cuja fonoforma é popular. é o caso da Coca-Cola. Já um vocábulo rarófono é um termo pouco conhecido, que não se popularizou, como nefelibáta, que é aquele que vive nas nuvens. Nefelibáta é um vocábulo criado pelos simbolistas.
Pelo exposto, Coca-cola é um vocábulo popular, um demófono e nefelibata são um vocábulo pouco conhecido, um rarófono.
Quando pronunciamos um demófono ele produz na nossa mente uma ideoforma, ou seja, uma figura específica. Por outro lado, quando falamos um rarófono, isto é, um termo pouco conhecido, este faz uma psicoforma, ou seja, uma figura genérica.
Contudo, quando pronunciamos uma neófono, é impossível figurarmos algo em nossas mentes, visto não sabermos qual o referente daquele neófono.

REFLÓXE

Reflóxe é um neologismo ou um neófono para simbolizar, ou melhor, para retratar uma operação da mente, uma resposta imediata que ela dá ao ouvir um demófono, ou seja, uma fonoforma popular.
Outro termo novo é retardóxe, que significa uma resposta lenta, fornecida pela mente que ela dá ao ouvir uma rarófono, ou melhor, um termo pouco conhecido.
Em resumo, a mente tem respostas mais ágeis para termos populares e respostas mais lentas para vocábulos mais raros.

PATOCRISTO

Patocristo – este neologismo serve para identificar o primeiro Cristo que surgiu no mundo. Ele apareceu na Atlântida a 8000 mil anos atrás. Os seus ensinamentos e a sua vida são rememorados no mitante, o mito brasileiro atlante, e são comemorados pela metareligião do amor.
Na Atlântida ele era conhecido como Imeroni, o sol interior. Tendo em vista que o Imeroni foi o primeiro Cristo que surgiu no mundo, nada mais justo do que chamá-lo de Protocristo, ou seja, o primeiro cristo.
O Protocristo era filho do poderoso Deus Mona, conhecido como monandum. Sua mãe era uma mortal de nome Norohni.

RETRAGEI

Pessoas EXISTEM QUE NÃO TEM NENHUM TIPO DE DEFESA CONTRA OS OUTROS. Por desconhecerem as etiquetas, as regras de convívio social, e outros truques e malabarismos da vida em sociedade, acabam sempre sendo ofendidas ou xingadas, parece que tudo que é ruim termina sobrando no colo delas.
Ora, para podermos ter uma boa convivência com as criaturas em sociedade é mister criar um mentalismo, ou melhor, uma barreira mental para evitar o ataque dos outros. Esta defesa psíquica chama-se retragei, ou corpo fechado.
Desde o momento em que temos o retragei fica muito mais fácil conviver com as demais pessoas.

OBRIGUÊTA

Existem coisas que fazemos para as outras criaturas com o maior prazer, são os favores. Existem outras atividades que realizamos visando o nosso lazer. Tanto as primeiras coisas como as segundas tem em comum o fato de serem realizadas de acordo com as nossas vontades por procedermos deste modo. O nosso alvedrio, ou melhor, o nosso direito a fazer aquilo que queremos está preservado.
Por outro lado, coisas existem que nos causam desprazer fazê-las. Muitas atividades são enfadonhas, chatas ou cansativas. Pior, talvez, sejam as rotineiras. Contudo, há coisas que temos que fazer mesmo que elas sejam desprazerosas. Trabalhos existem que não podem ser adiados e tampouco podem deixar de ser realizadas. Portanto, nomeei, isto é, chamei de obriguêta a toda obrigação qe não pode ser protelada e muito menos ficar sem ser feita. Hoje a tarde, falando nisso, tenho 5 obriguêtas.

INCLÍNIO

Algumas cristuras tem repulsão ao trabalho, outras, tem repulsão ao sexo, existem inúmeras situações em que as pessoas, além de não terem atração nenhum, ainda sentem repulsão por aquilo.
Todavia, muitas vezes, gostamos de determinadas situações, pessoas ou coisas. Alguns têm aptidão para a música, para o esporte ou para a cultura. Ocorre que malgrado as suas aptidões, são significa que estas criaturas se dediquem aquilo.
O neologismo que pretendo mostrar aqui é inclínio.
Eu, pessoalmente, tenho um pouco de aptidão para as letras, a literatura em geral. Acontece, que esta minha tendência não se limita apenas a uma propensão, Eza é um inclínio, ou seja, ela sempre transborda em direção a literatura. Tenho também inclínio para a comunicação e, sobretudo, inclínio para o saber.

ADULARQUÊS E O CONTRETEIRO

Florianópilis, 29 de maio de 2002
Santo Antônio de Lisboa

Nome estranho este, estranho e exótico. É, em verdade, um neologismo – Adularquês – significa adulador de burguês. É aquele tipo de pessoa que adula o burguês. Ele adula de um modo especial, considerando as idéias futuras (fajulentas) de determinado burguês, como idéias brilhantes. O adularquês é diferente do contreteiro. O termo contreteiro também é um neologismo. O contreteiro é aquele que invalida uma idéia por esta advir de um plebeu. Enquanto o adularquês trata as fajulentas como idéias brilhantes para agradar o burguês, faz um agrado, dá um aduléte no rico, o contreteiro, por sua vez, transforma as idéias brilhantes em fajulentas, isto é, dá um contete no plebeu, isto é, invalidada.

AMPARITO, PÉDESA E PÉDEIRA

Nunca entendi muito bem esta estória de não existirem nomes para algumas coisas no Brasil. Se a língua que falamos é tão rica como se explica o fato de não serem nomeadas todas as coisas. Durante os meus estudos de gramática, deparei-me com um termo que parecia desnecessário – catacrese. O significado de catacrese refere-se a algumas coisas que por não terem o nome correspondente acabam emprestando um nome de outra coisa: por exemplo, braço da cadeira, pé de mesa e pé da cadeira.
Ora, decidi então nomear o braço da cadeira de amparito, o pé da mesa de pédesa e o pé da cadeira de pédeira.
Enquanto escrevia estes neologismos eu estava sentado com o braço esquerdo sobre o amparito da cadeira, isto é, sobre o braço da cadeira. Na frente eu via um pédesa, isto em um pé de mesa, e as vezes eu olhava embaixo da minha cadeira, e vi um pédeira, ou seja, um pé da cadeira.